terça-feira, 26 de abril de 2011

Tombar ou não tombar, eis a questão...



O que é no mínimo interessante em uma cidade como Curitiba da década 1950 que até então não manifestava apreço pelo modernismo, ainda imatura para essa nova concepção, é o fato de abrigar prédios modernistas e uma praça com duas esculturas escandalizantes. Se fosse só por esse fato apenas de ser, representar um ato de vanguarda na capital do Estado já se justificaria o tombamento da praça em especial e de todo conjunto de obras. Era um marco simbólico de progresso, o estado se lançava e incorporava do discurso nacional. Era o Paraná se mostrando com um atitude ousada deixando pra trás um passado tradicionalista, mas como mostra o painel, sem esquecer de suas origens, seu percurso e sua história.

Porém isso tudo só aconteceu graças ao então governador do Estado Bento Munhoz da Rocha Neto. Talvez, melhor que uma descrição de sua biografia seja ir em busca de suas palavras. Aqui uma fala que revela muito sobre como encara os sonhos, lembrando que o Centro Cívico era um sonho seu:

“Nem as soluções nem as próprias instituições que as condicionam podem realizar algum ideal ou sonho, porquanto a execução contingente de uma idéia já implica em sua necessária degradação. Mas os sonhos continuam. O que dá vontade de dizer-lhes: Deixem de sonhar, meninos.”[1]

Ou ainda um comentário revelador de Gustavo Capanema sobre Bento Munhoz:

“soube ser, na sua província natal, como está sendo em cenário mais amplo, um intelectual no poder, sem as abdicações, os desvios e as inibições que o poder, via de regra, impõe aos intelectuais”[2]

Esse ultimo interessa para compreendermos a característica de Bento que talvez tenha sido decisivo para a realização das obras modernistas do centenário de emancipação: o desenvolvimento em várias áreas e, por isso, uma abertura maior para inserir o Estado no clima nacional e aberto a para inovações.

A Praça 19 de Dezembro revela não só um momento, um marco histórico mas conta uma história dela mesmo, lembrando da “mulher de pedra” e outros. Ela revela valores nacionais, pois há influencia de um movimento que acontece nos grandes centros urbanos do país com a presença de um modernismo em uma época em que a cidade não estava com uma mentalidade adequada pra recebê-los. Portanto, chocou a cidade. “Um progresso forçado” na busca de acompanhar a idéia de progresso do governo.

A praça hoje é lugar de passagem para as pessoas que se encaminham para os pontos de ônibus. Porém, ainda causa discussões as figuras do Homem e da Mulher.

O Paraná queria incorporar uma identidade nacional de progresso. A exemplo de outros eventos como o Paranismo em que se buscava delinear as características da identidade paranaense.


[1] ROCHA NETO, Bento Munhoz da. O Paraná, ensaios. Curitiba: Coleção Farol do Saber, 1995. P.15.

[2] Idem. p.30.

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